Agrotrópico

Diante do sertão, como diante do mar, é a mesma impressão de infinito e de eternidade

Pau-Brasil, cana-de-açúcar, seringueira, cacau, café e a pecuária. Foi assim que começou a nascer a agropecuária brasileira. Primeiro extrativismo, depois mono produção e tecnologia e  processos trazidos do hemisfério norte. A Mata Atlântica pagou alto preço por isso: as condições de solo e clima não suportavam este know how. A população e as atividades econômicas estavam concentradas na franja atlântica e o Brasil olhava e produzia para a Metrópole.

O #AgroTropico – a agropecuária tropical – nasce de uma reação a esta situação: rompimento total com o passado. Novas tecnologias, novos processos de manejo, novos atores, envolvidos numa invenção de sucesso dos brasileiros. Nosso mundo rural do século 21 é fruto de uma aliança objetiva entre pesquisa e produção. Pesquisadores e empreendedores rurais – uma geração que vem se profissionalizando e são cada vez mais competentes.

A revolução produtiva começa nos anos 70, com os agricultores do Sul, famílias rurais, despertando e querendo crescer. Em busca do sonho, subiram para o planalto central e hoje estão chegando no Maranhão. Enquanto isso, a pecuária, puxada pela paulista, se expandiu para o centro oeste e outras regiões. O ganho de produtividade e sustentabilidade de lá para cá foram os maiores do mundo. 50% de queda do valor dos alimentos nos últimos 50 anos, reorganização completa da oferta em todo o país, modernização das relações de trabalho, ¼ do PIB e a sustentação da nossa balança comercial há pelo menos 30 anos.

Estamos na iminência de nos transformarmos no maior produtor de alimentos num mundo faminto e com a demanda crescente graças a estas transformações produtivas do setor, que foram fundamentais para a sociedade brasileira e seu bem-estar. Não fosse a agropecuária o Brasil hoje seria um país muito mais pobre e primitivo, com pequena capacidade de investimento.

Mas os desafios não são pequenos. Está havendo uma oferta ofensiva de trabalho no campo, com altos ganhos salariais, e isso implica fomento da mecanização. Isso num contexto de êxodo rural: os agricultores pobres do Nordeste, os pequenos agricultores, a classe média do campo dedicada à hortifruticultura e plantação de flores principalmente. Se queremos espaços rurais habitados, com sua história e cultura, e não esvaziados, é necessário debater esta situação com o objetivo de criar políticas de desenvolvimento rural, que nunca existiram no Brasil.

O #Agrotropico da NetNexus – empresa especializada em serviços de articulação e inteligência nas mídias sociais – nasce com o objetivo de ser uma ferramenta eficaz para o setor mais dinâmico da economia brasileira debater e propor soluções para as suas questões críticas. E conversar com a opinião pública na nova arena de comunicação da sociedade sobre suas conquistas nos últimos 40 anos, um processo contínuo que levou a agropecuária brasileira a uma  posição de protagonismo e liderança global em relação à produtividade e sustentabilidade.

Aquecimento global, escassez de água, uso da base de recursos naturais, redução de emissão de gases de efeito estufa e produzir alimentos para o mundo. Não são poucos os desafios que temos pela frente, mas não são maiores do que os que vencemos até agora.

Buscando vida, uma história sem importancia

Do Sul para o Planalto Central, é a mesma história, o mesmo desafio: conquistar espaço para uma vida melhor

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Este é o monumento em homenagem ao desbravador de São Miguel do Oeste em Santa Catarina. Um anônimo como os membros da família Odair Dalpiaz (aqui, fragmentos da história desta família), pai do Douglas e do Dirlei, que há 16 anos venderam sua propriedade de 16 alqueires nesta região para buscar um futuro melhor no cerrado de Goiás.

Hoje, eles tocam 620 hectares. Plantam soja e milho. Almocei com eles em maio na AgroBrasília. Estavam lá atrás de tecnologia da Embrapa, da Bayer, da Syngenta, da Monsanto, da John Deere e outros players do setor de máquinas. Estas empresas perversas que ajudam a destruir o Brasil, no discurso vazio dos ambientalistas profissionais – aqueles que fazem carreira, conquistando espaço e altos salários explorando a preocupação de todos nós – a família Dalpiaz, os monstros que produzem defensivos e investem em genética e transgenia, os fornecedores de máquinas e implementos agrícolas, você e eu.

O #AgroTropico, uma invenção de sucesso dos brasileiros ainda em fase de amadurecimento, vem sendo criado de forma latente desde que outros bandidos, os bugres paulistas, os bandeirantes, que viviam voltados para o Brasil e não para a metrópole como os colonos de todos os outros vilarejos do início da colonização, iniciaram a conquista das novas fronteiras da nação que começava a nascer.

“O sertão exercia, sobre aquela gente, a mesma atração que exerceu o mar para seus pais ou avós portugueses. Diante do sertão, como diante do mar, é o mesmo assombro, é a mesma impressão de infinito e de eternidade, é a mesma vertigem”, como escreveu José de Alcântara Machado, no clássico Vida e Morte do Bandeirante para descrever a epopeia que se iniciava.

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Foi este texto que me veio à cabeça neste meu encontro em maio com a família Dalpiaz, na AgroBrasília. Eles são mais cultos e objetivos do que os ambientalistas profissionais. Falam em tecnologia, que há muitos poucos anos era um sonho impossível de ser sonhado. Têm orgulho de fazerem parte do setor mais dinâmico da economia brasileira, o #AgroTropico, e estarem dando uma contribuição junto com outros milhares de produtores como eles e os produtores familiares da região, dedicados em suas granjas à produção ovos, leite, queijo, cabras, porcos, codornas e por aí afora.

Uma das questões críticas do agronegócio como um todo hoje é justamente como manter e tornar ainda mais produtivos os agricultores familiares e os pequenos agricultores no campo. Sem demagogia e sem as palavres chaves dos ambientalistas de carreira, profissionais como outros quaisquer. Esta questão, mais as relacionadas com o de desenvolvimento e absorção de novas tecnologias e processos e gestão cada vez mais profissional, tanto dos pequenos e médios quanto do grandes proprietários, são os desafios que temos pela frente para alimentar o mundo com sustentabilidade. E esta consciência está impregnada em todo o agronegócio.

Rodrigo Mesquita, jornalista

@rmesquita

O Brasil já valoriza o Agrotrópico

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